quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Sobre a Morte de Um Rei Sem Trono

Auto entitulou-se rei.

Auto julgou-se tão belo; pouco sabe ele tamanha feiura sua torpeza causou-lhe diante dos olhos em mim abrigados.

Auto entitulou-se demasiado esperto; mal sabe ele que a esperteza, ao mesmo tempo que engrandece o ego daquele que diante do espelho permanece, envenena a alma em doses letais pelo tempo.

Seus olhos fixos e seus ombros endurecidos pela postura que ardilosamente o elevava demonstravam, de modo inequívoco, seu grande engano na árdua busca pela inteligência, pois longe, muito longe de ele entender o que ultrapassavam aqueles efêmeros laços que o mantiveram aquecidos, enquanto posicionava-se mestre no tabuleiro de seu jogo de três peças.

A inteligência do rei natimorto nasceu e logo morreu. Efêmera, satisfez desejos momentâneos, levantando muros de papel.

Quanto a mim, prefiro atentar-me aos ensinamentos dos sábios: em troca de tão passageira inteligência, transformo a dor, a raiva e a decepção nos mais dignos instrumentos da edificação da minha fortaleza.

Concretiza a fortaleza a mulher que não deseja servir como rótulo, desde que reconheça ela seu valor. Desejos morrem inúteis desacompanhados de uma postura condizente com a transformação do desejo em ato.

Entre pensamentos, palavras e atitudes - infinita distância -  somente as últimas definem seu caráter e me dizem que tu és.