"O homem em sua penúria não consegue mais se fazer compreender nem em se comunicar verdadeiramente com o outro por meio da língua; nesse estado em que tem obscuramente consciência, a língua se tornou um poder autônomo que aperta os homens com seus braços de fantasma e os impele para onde não querem ir. A partir do momento em que procuram se entender e se unir para uma obra comum, a loucura dos conceitos gerais ou mesmo das puras sonoridades verbais se apodera deles e, nessa impossibilidade em que estão para se exprimir, as criações coletivas de seu espírito levam por sua vez o sinal do desentendimento íntimo, na medida em que elas não correspondem mais as necessidades reais, mas somente ao nada dessas palavras e desse conceitos tirânicos; é assim que a humanidade acrescenta a seus outros males a submissão à convenção, ou seja, a um acordo entre as palavras e os atos que não corresponde a um acordo de sentimento." (Nietzsche em Der Fall Wagner).


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