Venho percebendo que, à medida que o tempo passa, sou mais chata, mais dura, mais realista, mais pessimista. Menos saciável, menos satisfeita, menos compreendida, muito menos sonhadora. Partindo disso aí, cheguei a uma quase conclusão: horrorosa, mas minha - a escolha e exteriorizaçao do que se é, quando desvinculadas a qualquer recompensa condicionante, afastam cada vez mais o ser humano das verdades inventadas, tornando-os mais críticos, duros e tristes.
O maior problema desse inconformismo todo de quem se distancia cada vez mais dos sonhos, é que justamente estes e as fofíssimas verdades inventadas que anestesiam os coraçoes da dura realidade e permitem refúgio contra a crescente insanidade de "alguns" aí (felizmente ou infelizmente, estou falando de mim também) que se questionam demais e adotam como hábito o ato de desaprender. Apesar de tudo, tenho que confessar que meus refúgios eram bastante confortáveis e me permitiam mais momentos de "felicidade"e "satisfaçao", ainda que tivesse plena ciência quanto à inegável submissão de todos eles à espreita do grandioso Sistema e, mais ainda, à crueldade anti-humana dos seus fiéis súditos.
Diante das esperanças e sentimentos dos quais sinto saudades, diria que, depois desse "vômito" de desabafo, caso me pedissem opinião, talvez contentar-me-ia com o silêncio, já que realmente a dúvida é infinita quanto às vantagens de se acordar desse estado de comunhão em massa com o mundão afora.

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