quinta-feira, 7 de novembro de 2013

A amargura é ladra da sensibilidade; o medo e a covardia os pais dos grandes muros.
Os muros já estão muito altos: deles roubaram a sensibilidade, transformando-os em matéria de sangue seco;
Quanto à alteridade, dela nem nunca ouviram falar.
Os sinos serão a direção: quando os deles tocarem, sabe Deus.
Quanto aos meus, ouço-os distantes e cada vez mais altos, enquanto minhas águas salgam e renovam o espírito.
E eu espero enquanto os chamo,
E eu os assumo no plano, e eu os encaro na edificação,

Pois coragem é tudo o que não me falta mais, não mais.

domingo, 29 de setembro de 2013

O desejo da solidão, diante de um oceano que distancia, é fruto da certeza a quem se pertence, ciência inequívoca do que permanece;

Desejar a solidão quando a ausência é o que se pode ter, é aceitar, com contraditórios pesares e contentame
ntos, que ninguém preenche um vazio de nome próprio;

Doce solidão, seu destino é morrer nos braços seus.
Doce solidão, pois retornarás quando já és meu.
Desejosa desta minha solidão, pois és insubstituível, meu amor...


Mais uma para você, Breno Viotto Pedrosa...


segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Muito além do verbo e da palavra existe o que habita o coração: esconderijo de um desejo que persiste.


Nas entrelinhas, dou ciência do que sei.


A entrega mora em não saber: não saber o que te espera e ainda assim permitir-se viver com plenitude.

domingo, 30 de junho de 2013

Busque consolar-se da dor pra tornar-se temporariamente cego e distante do que te afronta
E jamais descobrirá quem és
Só quem enfrenta a dor mantendo-se distante dos subterfúgios que descobre a felicidade genuína.
A luz da qual precisas não vem dos outros e sim de você mesmo.
Enfrente a tua dor pra que aprendas a conviver consigo mesmo,
Só assim estarás preparado para um outro alguém.
E depois de fortalecido com a solidão,
Voltarei meu ombro amigo para te auxiliar no teu caminho,
Enquanto isso, que minha ausência seja perdoada
Pois não posso mais, não posso mais...

domingo, 13 de janeiro de 2013

Arritmia cardíaca


Baile de máscaras me causa arritmia cardíaca.
Posso então admitir tamanha fraqueza, considerando que nesse mundo de selvagens sobrevivem os que dançam conforme a música? Apenas não quero que encarem vitimização no lugar de desabafo.
Toda vez que o rancor bate à porta da tranquilidade, me torno ainda mais humana. E é cada vez mais difícil ser isso aí.
Dos oscilantes e contraditórios movimentos de imergir e emergir, a única estabilidade está na criação permanente do que todo o interno e externo fazem de mim: eu, aqui, assim, desse jeito.

Entre lutas de ser, dever ser; entre papeis misturados diante dos acontecimentos que arrebatam, a hipocrisia ganha, de longe, de todos os demais sossegos e desassossegos nesse palco de sorrisos e lágrimas, fazendo da vida um espetáculo.
Permito-me, então, alegrar-me por poder ser eu mesma todos os dias, pelo menos com aqueles que convivo por escolha; rodear-me daqueles que me veem como sou todos os dias, porque se quero alguém ao lado, quero que seja por inteiro, porque sou inteira também.

Depois disso tudo, me deparo com o sentimento de pena. É, meus pensamentos estão alucinados com o oscilar na brincadeira do "boio, depois mergulho".
Pena daqueles que acham que precisam ser outros para ter o amor de alguém,

Pena daqueles que confundem o amor, que o desfiguram com um “falso importar-se”;
Pena daqueles que não enxergam a impossibilidade do reconhecimento por outros do seu valor, antes do cultivo do amor-próprio.

Pena desses covardes que tanto se esquivam do sofrimento de não ter o outro, em troca da liberdade de ser e expressar o que verdadeiramente se é.
Ninguém conhece ninguém, quase isso.
 
 
 
 
 
 

 

 

 

 

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Era uma vez uma mulher que abriu portas, muitas portas.
Era uma vez uma mulher que não fechava as portas, ela nunca fechava as portas.
Era uma vez uma mulher que pintava portas em paredes maciças.


Agora essa mulher fechou as portas, muitas portas
Agora essa mulher já não tem só portas fechadas, ela já não as vê mais.
Agora a mulher que pintava portas cansou do ofício - pintar portas envelhece as mãos,
Não só as mãos, mas todo o resto.

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Quando a dor é tanta,
O coração sufoca e te faz quase mudo.

Estou quase em silêncio;
Preciso de uma folga de mim antes que ele tome conta,
Transformando as palavras em nada.

O nada de mim é isento de expressão,
E eu realmente não gostaria de perder meu melhor analgésico.