Baile de máscaras me causa arritmia cardíaca.
Posso então admitir tamanha fraqueza, considerando que nesse mundo de selvagens sobrevivem os que dançam conforme a música? Apenas não quero que encarem vitimização no lugar de desabafo.
Toda vez que o rancor bate à porta da tranquilidade, me
torno ainda mais humana. E é cada vez mais difícil ser isso aí.
Dos oscilantes e contraditórios movimentos de imergir e emergir, a única estabilidade
está na criação permanente do que todo o interno e externo fazem de mim: eu, aqui, assim, desse jeito.
Entre lutas de ser, dever ser; entre papeis misturados
diante dos acontecimentos que arrebatam, a hipocrisia ganha, de longe, de todos
os demais sossegos e desassossegos nesse palco de sorrisos e lágrimas, fazendo
da vida um espetáculo.
Permito-me, então, alegrar-me por poder ser eu mesma todos
os dias, pelo menos com aqueles que convivo por escolha; rodear-me daqueles que me veem como sou todos os dias, porque se quero
alguém ao lado, quero que seja por inteiro, porque sou inteira também.
Depois disso tudo, me deparo com o sentimento de pena. É, meus pensamentos estão alucinados com o oscilar na brincadeira do "boio, depois mergulho".
Pena daqueles que acham que precisam ser outros para ter o
amor de alguém,
Pena daqueles que confundem o amor, que o desfiguram com um “falso
importar-se”;
Pena daqueles que não enxergam a impossibilidade do
reconhecimento por outros do seu valor, antes do cultivo do amor-próprio.
Pena desses covardes que tanto se esquivam do sofrimento de
não ter o outro, em troca da liberdade de ser e expressar o que verdadeiramente
se é.
Ninguém conhece ninguém, quase isso.
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