terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Poema à boca fechada


Não direi: 
Que o silêncio me sufoca e amordaça. 
Calado estou, calado ficarei, 
Pois que a língua que falo é de outra raça. 

Palavras consumidas se acumulam, 
Se represam, cisterna de águas mortas, 
Ácidas mágoas em limos transformadas, 
Vaza de fundo em que há raízes tortas. 

Não direi: 
Que nem sequer o esforço de as dizer merecem, 
Palavras que não digam quanto sei 
Neste retiro em que me não conhecem. 

Nem só lodos se arrastam, nem só lamas, 
Nem só animais bóiam, mortos, medos, 
Túrgidos frutos em cachos se entrelaçam 
No negro poço de onde sobem dedos. 

Só direi, 
Crispadamente recolhido e mudo, 
Que quem se cala quando me calei 
Não poderá morrer sem dizer tudo.


José Saramago,

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

"O homem em sua penúria não consegue mais se fazer compreender nem em se comunicar verdadeiramente com o outro por meio da língua; nesse estado em que tem obscuramente consciência, a língua se tornou um poder autônomo que aperta os homens com seus braços de fantasma e os impele para onde não querem ir. A partir do momento em que procuram se entender e se unir para uma obra comum, a loucura dos conceitos gerais ou mesmo das puras sonoridades verbais se apodera deles e, nessa impossibilidade em que estão para se exprimir, as criações coletivas de seu espírito levam por sua vez o sinal do desentendimento íntimo, na medida em que elas não correspondem mais as necessidades reais, mas somente ao nada dessas palavras e desse conceitos tirânicos; é assim que a humanidade acrescenta a seus outros males a submissão à convenção, ou seja, a um acordo entre as palavras e os atos que não corresponde a um acordo de sentimento." (Nietzsche em Der Fall Wagner).

No Lugar de Hades

Quando se der conta da impossibilidade de permanecer nessa realidade triste, procure subterfúgios e crie uma nova.
Às vezes é melhor mascará-la enquanto ainda são. Apenas quando dentro do limite dessa razão que ainda poderás dar dimensão aos riscos que se corre caso permita que ela se alastre e ganhe espaço em toda sua natureza humana.
Nem sempre o melhor é usar todo seu potencial; somos capazes de coisas terríveis.
Defenderei sua honra até a morte.
Não permitirei que qualquer ato de loucura desfigure tamanha torpeza.
Nem sei na verdade se existe palavra pra tudo que sinto, pra tudo que vejo.
Em momentos como esse peço pra ver um céu diferente do inferno.
Imagino agora um lugar vermelho nauseante, só assim consigo desejar que lá se queime, arda e não morra. 

Monólogo Triste

Amor em tempos de cólera, eu diria.
A ti darei um novo tempero.
O tempo em fumaça transformará a cólera e onde pensavas haver amor, descobrirá um espelho.
Oscilará então sua obsessão entre a imagem melhorada e você mesmo, até aprender a lidar com os lampejos de tal distorção.



Essa é a espera do volver do corpo.
Em queda livre, desejo afastá-lo desse seu abraço sem tato e em monólogo triste.









quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Ascensão Caótica

Caos-Mental-Trabalhista-Previdenciário e as incompatibilidades vinculativas a essa minha inútil natureza dispersa de internalizações.

Meu gosto pelas coisas e pessoas é a medida do que as diferenciam dessa padronização desenfreada.

Eis um ponto de partida para tentar entender essa minha imensa dificuldade em enxergar afinidades.

Pode ser essa ascensão caótica um dos caminhos que leva à loucura?

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Equação Atual da Ausência




A mais bela declaração de amor que recebi até hoje deixou de ser aquela escrita por outros punhos, para ser esta que venho tatuando na pele desde a primeira vez que nossos olhos se cruzaram.

Minha pele, corpo, lábios e todo resto do que sou constituída já ardem em febre a falta que ele me faz.

Recorro às lembranças, doces lembranças do início ao fim, sem ponto final

Não sei mais do meu querer: se é feliz, triste ou ilusório; só sei o que é saudade.

Agora posso dizer que compus na vida uma real equação de ausência; só agora posso gritar ao mundo que bem sei o que é sofrer por um amor que já não cabe mais no peito.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Só mais uma das previsibilidades humanas


Não desistem: Eu, Tu, Ela, Nós, Vós e Elas. É desse ponto que parto a caminho da tentativa de um entendimento acerca da origem de um círculo vicioso. E é engraçado que, seguindo essa premissa, é o popularmente desaconselhável que permite a obtenção de algum sucesso entre esses díspares e isolados objetivos. 

Comumente é assim, e exatamente por ser assim que não perdemos a tão conhecida característica humana da insatisfação eterna.

sábado, 10 de dezembro de 2011

Missa do 7º dia sem morte morrida

É engraçado como parace que as coisas acontecem como deveriam ser. O mundo gira, gira, e eu sempre retomo essa mesma frase. É assim que a cada dia sou mais convicta quanto à inexistência de coincidências.
A sensação ruim foi embora, simplesmente me deixou. É sempre assim: mais dias, menos dias, ela  desgarra ou transforma-se. A minha transformou-se em aprimorados corpos já existentes: agora me restam imensa saudade e desejo, só que em águas tranquilas.
E o coração se abre para as alegrias e surpresas da vida, e decide receber os tantos presentes que ela tem me oferecido - devo definitivamente reconhecer que sou uma garota de sorte...
Vale dizer que não vou parar de escrever, tampouco de dançar...afinal de contas, quando o corpo acompanha a música, é que se ganha rítmo.
Eis, então, uma Missa de 7º dia - frisa-se - sem morte morrida!

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Aos apaixonados por passarinhos

Àqueles que amam um "semelhante" provido de alma de passarinho, escutem o que tenho a lhes dizer: eles permanecerão voando. Embora não tenham asas visíveis, o seu conceito de felicidade pertence aos céus.
E eu aqui permaneço, pois assim como vocês, nasci pra fazer meu ninho mais embaixo, de modo que possa constantemente adubar a terra. Prefiro um amor construído e constante a uns flashes repentinos de reciprocidade - olha só, quem diria que até a matemática ganharia espaço no meu Blog (risos)?!

Por fim, vale dizer também que, em que pese pensar desse modo, sei que o ato de ratificação algumas vezes é o caminho que nos leva à paz futura.
Sabe-se que é inútil prender seu amado pássaro na gaiola que constrói seu coração, mas sabe-se também que é imensamente pior AUTO conceituar-se covarde.
Deve ser realmente bem triste o arrependimento pelo que não se tentou. A inércia mata aos poucos a alma, e ao que lentamente morre, damos o nome de torturado.
Por tudo isso, eu diria que não se deixe envenenar o espírito pela inércia, mas também não se permita fazer parte de um círculo vicioso sem fim! 

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

A lei de acordo com o princípio da INeficiência

O vento soprará, soprará...até emaranhar os cabelos, enquanto experimenta uma alegria quase divina, mas como todas elas: fugaz.
Depois virá o sol: quente e brilhante, e debaixo daquele calor torrencial sentir-se-á capaz de enxergar a realidade fria e crua, percebendo que esta muda de tempos em tempos, e de que ela nada mais é do que fruto da percepção equívoca causada pelo conjunto sensorial desestabilizador de mentes.
Daí virá o rio em águas agitadas...e quase inutilmente insistirá na moldagem de suas rochas. O corpo sentir-se-á cansado e, aos poucos, tornar-se-á calmo novamente, obedecendo à lei natural. O desespero vai e volta, inconstante como a música que toca a alma.

No fim, não passarei de mais uma desparelhada,como um mais um nem sempre é igual a dois, e dois mais dois podem ser 4,5,6...
A vida não funciona exatamente conforme a lógica, mas, de uma forma ou de outra, acaba sempre respeitando uma certa legislação processual desajustada...

E tudo é bem simples assim - no final das contas, não é lógico, mas também não foge à regra.

sábado, 26 de novembro de 2011

Outras contradições

Vontade de gritar o que sinto, sem reproduzir pensamentos que só penso, mas não sinto.
Como liberar o que há dentro, quando o grito vem depois da reflexão? Como presentear o coração com um "sim", quando o "não" alicerça todo o resto?
É isso que acontece quando se é constituído de partes.
Contradições minhas, contradições deles. É disso que sou feita: de gritos contidos pela razão.
Eis uma explicação para a eterna insatisfação.
Eis uma razão para esta minha sensação de esgotada e vazia ao mesmo tempo.

sábado, 19 de novembro de 2011

E, como diria Vinícius, é arte!

Único. Insubstituível. Impassível de troca por qualquer coisa perfeitamente acabada nesse mundo.
Racionalmente tido como visitante - papo para os matemáticos - este involuntariamente faz morada em locais nunca antes habitados no meu peito.
Detalhes de um encontro nessa vida de tantos desencontros.
Não mudaria nada, qualquer vírgula ou pontuação, pois a precisão está exatamente no inesperado, nesse suspiro pelo súbito que me levou até você.
Encantam-me o piscar dos olhos, o desejo pelo incalculável, a imprecisão no ato de conceituar.
Experimento um tudo limitado pelo verbo, e ao mesmo tempo esse infinito infinitamente quebrado pela incerteza.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Permita-se curtir o brilho diferente nos olhos, sem preocupar-se com o que o amanhã lhe reserva.
Entregue-se à vida sem se esquecer que ela é feita de momentos, e de que o depois ainda não existe.
Lembre-se que há uma grande razão em chamarmos o "agora" de presente.
Então, presenteie-se e deixe de planejar tanto um palco onde sequer há como saber se será você o protagonista da peça....
Escreva sim, mas não se esqueça que nesse grande cenário chamado vida é perfeitamente possível fazê-lo enquanto se dança...

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Para terminar na dúvida

Como todas as manhãs, ela passava.
E aquele moço, há meses, num mesmo lugar estava.
Naqueles mesmos horários ele a olhava; seus olhos acompanhavam a jangada do seu andar manco.
Não eram olhos gulosos, como daqueles que mastigam com os cílios a carne dura, mas olhar de quem fita curioso, admirado.
O moço insistente no ato de espiar, chama a atenção observadora da moça, atiçando aquele seu modo incomum de enxergar o mundo. Ele fita, fita, fita, e ela pensa: "que olhos disciplinados".
E mais uma manhã, ela passa, caminha acompanhada daquele mesmo olhar. E ela volta.
Sua cabeça, como sempre: erguida, mas nunca desatenta ao olhar cercante.
Sem pretensão de que ela o olhasse, declarou-se ao vento para não encará-la nos olhos: "estou apaixonado por você, mulher! As palavras soaram fortes, como se há tempo as tivesse sufocado na garganta.
A percepção da sinceridade do fitador não foi suficiente para fazê-la lançar-lhe o olhar, nem sequer se deu o trabalho de honrá-lo com qualquer gesto, simplesmente continuou a seguir seus passos, como toda manhã.
E a moça pensa e se culpa, ou se culpa e depois pensa.
Ela sabe que é natural a falta de reciprocidade, mas ficou "encasquetada" com a possibilidade de ter magoado o tal moço fitador, tão disciplinado!
Contudo, quase ao mesmo tempo, ela ri da experiência aparentemente insana para aqueles que tendem à análise pouco profunda dos acontecimentos engraçadinhos da vida.
No fim, ela resolve desvincular-se momentaneamente da superficialidade e pensa: "a experiência só pode ser insana desde que falte sanidade em algum de seus personagens".
E, desde então, lançou ao interno a seguinte indagação: "com quem está a insanidade"?
E como sempre, o desfecho da moça é sempre a dúvida...mas quanto a essa, talvez melhor que morra sem uma resposta.


segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Em especial para: mamãe, papai, irmãos, vovó, titios e titias!

Amores,


Não se preocupem com meu modo de expressão. Além do mais, nem sempre as datas das publicações correspondem à ordem cronológica dos acontecimentos na vida...rsrs!
Nem sempre publico os dizeres da alma na época correspondente aos seus acontecimentos!
Por tudo isso, não julguem meu estado interior pelas datas das postagens!
Esclarecidos?!


Beijos!


Os poemas são pássaros que chegam
não se sabe de onde e pousam
no livro que lês.
Quando fechas o livro, eles alçam vôo
como de um alçapão.
Eles não têm pouso
nem porto;
alimentam-se um instante em cada
par de mãos e partem.
E olhas, então, essas tuas mãos vazias,
no maravilhado espanto de saberes
que o alimento deles já estava em ti...

Mário Quintana.

domingo, 16 de outubro de 2011

As várias faces de uma boba

Seja boazinha e compreensiva sem limites. Coloque o próximo acima de você. Tudo em prol da bondade e da vontade de ajudar.
Se estava pensando em fazer isso, morrendo de curiosidade quanto ao resultado, respire e pare imediatamente! Não há necessidade de cometer essa loucura por medo de morrer curioso, pois lhes conto...
Você se transformará em variadas formas, bem como atenderá a diversas finalidades para as quais cada uma delas lhe couber:
1- pode virar uma pata, para aqueles que acham que o jeitinho atrapalhado desse animalzinho encantador o faz parecer um bobinho, tontinho, com vontade de apertar de tão tanso;
2- pode virar égua, cavalo, burro, a depender de qual tipo de montaria carece a circunstância;
3- áh, mas pode também servir de muleta, caso a situação exija um apoio devido a deficiências temporárias;
4- pode transformar-se até em óculos - e quanto a este, já lhe aviso: haverá um dedinho teimoso, de unha comprida, trincando as lentes o tempo todo,  já que o sujeito insiste que o melhor é ter vista distorcida;
5 -ainda poderá transformar-se em joia preciosa...sabe, existem ocasiões em que elas caem bem;
6- e não poderia deixar de mencionar que você ainda poderá tomar forma de orelhão. Mas, quanto a esse, sinto lhe informar que funciona somente quando lhe é conveniente...e esse problema, infelizmente, penso que nem técnico conserta.

A respeito das demais formas, pois obviamente existem milhares de outras, a chamada tolerância se esgotou, informando, inclusive, que se cansou dessa turnê teatral.

Mas, enfim, a jovem boazinha, compreensiva e altruísta resolve estabelecer o limite ao que antes era infinita compreensão: gritou bem alto e concretou o RESPEITO, decretando-o como seu idioma oficial.
Além do mais, como mera consequência de tal decreto, oficialmente se declara solteira para os devidos fins.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

LANTERNA DO MEU LABIRINTO PRESENTE

Não desista de querer tornar-se uma pessoa melhor.
Não deixe de lado sua virtude de ouvir, muito menos a de saber dar importância ao sentimento alheio, ainda que se depare constantemente com alguém que demonstre cada vez mais imparcialidade.
Mantenha-se intacto a que você não deseja ser, tudo para que não ocorra a infelicidade de tornar-se fechado em você mesmo, bem como para que não corra o risco de igualar-se àqueles que consciente ou inconscientemente o fazem sentir menos importante.
Combata com força o egocentrismo motivado, que o incapacita de compreender o próximo.
Invista em você segundo seus valores; não deixe que a influência o torne alguém que não quer ser apenas por auto-proteção.
Lembre-se que tudo na vida passa. E melhor deparar-se depois que esse "tudo" passou, com o seu "eu" mais próximo do que sempre almejou, do que trabalhar o dobro para RECUPERAÇÃO do que já poderia estar em estágio de EVOLUÇÃO.
A vida está sempre nos pregando peças justamente para que tomemos ciência de que somos mais fortes e capazes do que sonhamos ser. A dor, o sofrimento, a decepção e o medo são todos parte desse processo chamado vida, do qual inevitavelmente faremos prova desde que estejamos nesse mundo.
A força está dentro de você, IRRADIE-A!

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Crônica do Amor


Ninguém ama outra pessoa pelas qualidades que ela tem, caso contrário os honestos, simpáticos e não fumantes teriam uma fila de pretendentes batendo a porta.
O amor não é chegado a fazer contas, não obedece à razão. O verdadeiro amor acontece por empatia, por magnetismo, por conjunção estelar.
Ninguém ama outra pessoa porque ela é educada, veste-se bem e é fã do Caetano. Isso são só referenciais.
Ama-se pelo cheiro, pelo mistério, pela paz que o outro lhe dá, ou pelo tormento que provoca.
Ama-se pelo tom de voz, pela maneira que os olhos piscam, pela fragilidade que se revela quando menos se espera.
Você ama aquela petulante. Você escreveu dúzias de cartas que ela não respondeu, você deu flores que ela deixou a seco.
Você gosta de rock e ela de chorinho, você gosta de praia e ela tem alergia a sol, você abomina Natal e ela detesta o Ano Novo, nem no ódio vocês combinam. Então?
Então, que ela tem um jeito de sorrir que o deixa imobilizado, o beijo dela é mais viciante do que LSD, você adora brigar com ela e ela adora implicar com você. Isso tem nome.
Você ama aquele cafajeste. Ele diz que vai e não liga, ele veste o primeiro trapo que encontra no armário. Ele não emplaca uma semana nos empregos, está sempre duro, e é meio galinha. Ele não tem a menor vocação para príncipe encantado e ainda assim você não consegue despachá-lo.
Quando a mão dele toca na sua nuca, você derrete feito manteiga. Ele toca gaita na boca, adora animais e escreve poemas. Por que você ama este cara?
Não pergunte pra mim você é inteligente. Lê livros, revistas, jornais. Gosta dos filmes dos irmãos Coen e do Robert Altman, mas sabe que uma boa comédia romântica também tem seu valor.
É bonita. Seu cabelo nasceu para ser sacudido num comercial de xampu e seu corpo tem todas as curvas no lugar. Independente, emprego fixo, bom saldo no banco. Gosta de viajar, de música, tem loucura por computador e seu fettucine ao pesto é imbatível.
Você tem bom humor, não pega no pé de ninguém e adora sexo. Com um currículo desse, criatura, por que está sem um amor?
Ah, o amor, essa raposa. Quem dera o amor não fosse um sentimento, mas uma equação matemática: eu linda + você inteligente = dois apaixonados.
Não funciona assim.
Amar não requer conhecimento prévio nem consulta ao SPC. Ama-se justamente pelo que o Amor tem de indefinível.
Honestos existem aos milhares, generosos têm às pencas, bons motoristas e bons pais de família, tá assim, ó!
Mas ninguém consegue ser do jeito que o amor da sua vida é! Pense nisso. Pedir é a maneira mais eficaz de merecer. É a contingência maior de quem precisa.

Arnaldo Jabor.


domingo, 18 de setembro de 2011


Querer gritar pra nada. 
Querer silenciar pra nada. Querer chegar numa resposta pra nada. 
Querer compreender o que não tem entrelinhas....talvez tão-somente pra mascarar mais um pouco a realidade até pouco tempo escondida entre chumaços de algodão doce. 
O bom de tudo é que nada é em vão, nada acontece por acaso. Dizem que tudo é aprendizado. 
Gotas e mais gotas enchem meu copo do que os experientes chamam de sabedoria de vida ...

sábado, 17 de setembro de 2011

Mais contradições

Quem é esse alguém que prega o silêncio, enquanto faz de sua alma uma escola de samba?
Quem é esse alguém que defende a liberdade, quando se deixa aprisionar por tão vãs circunstâncias?


Já começo a me sentir sufocada cercada por esses muros que há dias venho edificando. Se não preciso deles, por que continuo empilhando seus tijolos?


Fora de contexto

Um aviãozinho de cada vez,
Passageiro, às vezes piloto, de tempos em tempos sobrevoa as nuvens que povoam meus pensamentos.
Tédio, angústia e uma pitada gigantesca de curiosidade ilustram toda a paisagem criada.


Contradições minhas, contradições deles. Daí me lembro que deles tem parte de mim, o que começa a tornar  tudo mais claro e previsível. Tudo é interno na verdade, começa interno e só pode terminar interno; a solução é interna, o trabalho só pode ser interno, começar e terminar interno.


Então, um brinde e mãos à obra insensível ao tato.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Ainda água: Transmutação da alma

Ainda água: Transmutação da alma: Cada vez que olho pela mesma janela vejo algo diferente. Os tempos são os mesmos... A grama continua baixa... O clima lá de fora pouco se ...

Pensei que a dor sempre me traria inspiração, momentos em que a palavra para comigo mesma servia de analgésico.
Descobri que a intensidade dela é capaz de calar a alma, silenciar a boca, contradizendo a imensa vontade de gritar.
Descobri também que quando mais se quer dormir em tempo de tempestade, que a insônia puxa a cadeira e se acomoda.
Sobretudo, descobri que é possível sim colocar a dor alheia acima da sua, e desejar que aquela se cure tão logo, ainda que isso possa significar carregar a sua por tempo indeterminado.
De uma forma ou de outra, como Charles Chaplin diria "nem tudo é permanente nesse mundo cruel. Nem mesmo nossos problemas", dizeres que procurarei reacender em todo momento em que a aflição parecer infinita.

domingo, 28 de agosto de 2011

Uma manhã ensolarada!


Hoje passei a manhã caminhando. Que domingo lindo. Que céu azul, que sol acolhedor.
As pessoas pareciam tão leves, tranquilas! Seus semblantes não carregavam aquela sombra do trabalho, da rotina, daquela umidade terrível que enfrentei por quase sete dias enquanto estive em Santa Catarina...em que pese admirar também a paisagem nublada, chuvosa, quando as pessoas estão todas encasacadas, segurando guarda-chuvas coloridos.
Cachorros! Nossa, devo ter visto umas cinqüenta raças de cachorros hoje! É incrível como as pessoas cada vez mais fazem desses dóceis animaizinhos seus companheiros!
Depois resolvi dar uma de criança e fiquei por uns minutos rindo feito tonta enquanto fazia rolar um barril pendurado do parquinho...nossa, fiquei imaginando aqueles palhaços se equilibrando naquelas bolas gigantes enquanto as fazem girar! No fim, caí sentada no tal barril, pois não consegui conciliar a velocidade dos pés com as giradas, o que foi muito divertido até olhar para os lados e perceber que as pessoas me olhavam de um jeito meio esquisito, o que me fez sossegar.
No caminho havia amoras, nossa quanta amora! Devo ter comido umas trinta, cheguei com a mão pintada em casa. Já a calça da Rebecca mudou de cor, de bege homogêneo passou para bege com listras marrons, pretas e roxas de amora...que delícia!
Bom, sei que isso aqui está mais parecendo um diário de uma manhã de domingo, mas tive vontade de escrever. Talvez porque sejam esses momentos simples da vida os mais gratificantes. Talvez porque o mundo lá fora é tão bonito, mas tão poucas vezes percebido, já que vivemos ocupados com tantas outras coisas!


quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Em algum lugar além do arco-íris

Em algum lugar além do arco-íris
Bem lá no alto
E os sonhos que você sonhou
Uma vez em um conto de ninar
Em algum lugar além do arco-íris
Pássaros azuis voam
E os sonhos que você sonhou
Sonhos realmente se tornam realidade

Algum dia eu vou desejar à uma estrela
Acordar onde as nuvens estão muito atrás de mim
Onde problemas derretem como balas de limão
Bem acima dos topos das chaminés é onde você me encontrará,
Em algum lugar além do arco-íris pássaros azuis voam
E o sonho que você desafiar, por que, porque eu não posso?

Bem, eu vejo árvores verdes e
Rosas vermelhas também
Eu as vejo florescer pra mim e pra você
E eu penso comigo mesmo
Que mundo maravilhoso

Bem eu vejo céus azuis e eu vejo nuvens brancas
E o brilho do dia
Eu gosto do escuro e eu penso comigo
Que mundo maravilhoso

As cores do arco-íris tão bonitas no céu
Também estão no rosto das pessoas que passam
Eu vejo amigos apertando as mãos
Dizendo, "como você está?"
Eles estão realmente dizendo eu... eu te amo!
Eu ouço bebês chorando e vejo eles crescerem,
Eles aprenderão muito mais
Do que nós sabemos
E eu penso comigo mesmo
Que mundo maravilhoso.

Algum dia eu vou desejar à uma estrela
Acordar onde as nuvens estão muito atrás de mim
Onde problemas derretem como balas de limão
Bem acima dos topos das chaminés é onde você me encontrará,
Em algum lugar além do arco-íris bem lá no alto
E o sonho que você desafiar, por que, porque eu não posso?




segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Aquelas mãos molhadas

Disfarcei a tristeza, contive as lágrimas...
Tudo o que conseguia pensar naquele momento era na possibilidade de ser aquele o último momento...
O contato foi mínimo, nem tantos dias assim, mas suficientes para transformarem meus dias em saudade...
Saudade da companhia, saudade do olhar...
Saudade da contagem regressiva dos ponteiros para o fim da tarde,
Saudade do calor da aproximação, ainda que aquilo tudo viesse só de mim...

Acho tão engraçada a maneira como nos protegemos de certas coisas, chega até a ser patético.
Qual poderia ser o problema se tivesse pedido mais um abraço ao invés de ter me limitado a um ou dois singelos apertos de mão? Se tivesse feito diferente, talvez não estaria até hoje tão intrigada com a razão de estarem aquelas mãos tão molhadas...

domingo, 21 de agosto de 2011

Uma pitada de ânimo!



Somos nós quem escolhemos o sucesso. Só precisamos ter confiança, bons pensamentos, objetivo e persistência no caminho...não deixar que qualquer obstáculo, por mais que pareça ele insuperável, nos faça pequenos, desencorajados. 



São as dificuldades, a luta pelos ideais, que nos dão força e nos preparam para o "pico"...afinal de contas, esses "steps" são essenciais até mesmo para que saibamos o que fazer quando chegarmos lá, dando ao sucesso, inclusive, o seu devido valor...e, de preferência, de forma que nos permita sentir orgulho de nós mesmos.


O mais importante: sendo o sucesso a escolha, obviamente o atingiremos quando decidirmos assumir as consequências e pagar o seu preço, parte mais difícil desta empreitada.


Depois de tudo isso, ao estarmos no topo, meu desejo maior só pode ser um: que ele não seja tão grande que faça desaparecerem o caráter, a personalidade, os valores e o respeito ao próximo.


P.S: sabe que isso me lembrou um texto meu, quando inconformada com a podridão humana debaixo de tecidos claros e luxuosos...eles, muitas vezes, ofuscam nossa visão de tal forma que nos impedem enxergar a verdade: http://juntandoascinzas.blogspot.com/search?updated-max=2010-10-31T15%3A06%3A00-07%3A00&max-results=7


Lembremos que o equilíbrio deve ser o objetivo, sempre. E o desânimo com ele nunca vai bem, pois sua busca deverá ser constante, seja lá qual for sua grande meta. Isso porque
sabemos que somos seres sempre insatisfeitos, pois ainda que concretizemos um desejo, virão outros milhões mais.


...E é assim que provavelmente perceberás que não importa o quanto atinjas, estarás sempre em busca de novas realizações. 

terça-feira, 14 de junho de 2011

Deus e a matemática

"É absolutamente impossível, em face da mais pura lógica e da mais genuína matemática, que um ser finito possa, com a soma total dos seus recursos finitos, alcançar um alvo infinito.
Nenhum homem pode atingir Deus.
Mas...Deus pode atingir o homem.
É diametralmente contrário à matemática que algum finito atinja o infinito - mas é perfeitamente lógico, dentro da mais rigorosa matemática, que o Infinito atinja o finito.
Deus pode invadir o homem, suposto que o homem seja invadível.
O homem não pode ser causa, autor dessa invasão divina - mas pode ser condição ou canal dessa invasão. O homem não pode iluminar sua sala com a luz solar, mas pode abrir uma janela para que o sol a ilumine".

Huberto Rohden.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Falsas verdades

Disse Einstein: "eu penso 99 vezes e não descubro; deixo de pensar, mergulho em um grande silêncio - e a verdade me é revelada".
O silêncio é a linguagem do espírito, e só por meio dele se faz possível o encontro com a realidade.
Como vivemos em meio a ruídos internos e externos - grande porcaria de necessidade que nos impõe nossos sentidos - ofuscamo-nos com os fatos, dando à percepção que temos deles o nome de realidade.  E dessa "realidade" formamos nossa "verdade".
Quão ignorantes nos tornamos devido as nossas limitações; quanta ignorância pensar que conhecemos a verdade quando sequer conseguimos nos desvincular de nosso ser ego-pensante ao extremo.




Jéssica Fernandes

terça-feira, 1 de março de 2011

Quase pronta para escrever de novo...
Mesmo porque recebi um mail dizendo que se não postasse algo em meu Blog loguinho o perderia :(.
Abraço e até breve!