Áh, se eu fosse capaz, faria canção dessas linhas sem som
que emaranhadas constroem teias do lado de dentro, num lugar já sem nome. Quem
sabe assim, cantarolando o lindo e o feio delas frutos, alcançasse a harmonia que
ausente causa dor nesse peito de ninguém.
Áh, se eu fosse capaz, desdobraria a angústia em papel
vegetal, pintaria paisagens cor-de-rosa sem fins. Quem sabe assim, colorido só
frente e verso a se ver, superaria o que jaz em tons de cinza e preto.
Áh, se eu fosse capaz, transmudaria o espaço no tempo
e o
traria pra mais perto do meu compasso tranquilo. Quem sabe assim, sentido maior
tivessem as paisagens que criei nos versos que entre ouvidos vagueiam em busca
de sincero descanso.
Áh, se eu realmente pudesse uma coisa qualquer, emprestaria
meu colo ao seu colo por alguns instantes e ao Sr. das melodias o ajuste das
batidas à música mais alegre do seu coração.

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